Image and video hosting by TinyPic

Há meninas que são a cara da mãe, outras nem tanto. Mas uma coisa é fato: independente da semelhança física, as filhas aprendem muito com suas mães. E não só com o que é dito, mas principalmente com os exemplos, hábitos, valores e jeitos de encarar a vida. Muitos desses aprendizados são bons, mas outros podem ser muito nocivos – e por isso, é importante que todos os cuidadores e cuidadoras estejam atentos ao que estão transmitindo e ensinando todos os dias às meninas.

Desde o momento do parto, mãe e filha iniciam uma relação poderosa entre as partes, que pode ser potencializada ao longo da vida. Mas o legado #DeMãeParaFilha não depende da conexão biológica entre as duas, e sim da relação construída com o tempo, da conversa, dos valores e da inspiração. Neste Dia das Mães, o Força Meninas homenageia as mães que inspiram as novas gerações e fazem seu melhor para que as filhas alcancem todo seu potencial. Destacamos alguns dos legados #DeMãeParaFilha para celebrar e inspirar nessa jornada maravilhosa que é criar uma menina e vê-la abrir-se para o mundo. Feliz Dia das Mães!


Biologia

Você sabia que seu DNA é 100% herdado da sua mãe? Pois é, pelo menos um deles, o DNA mitocondrial, que também está em cada uma de nossas células. Ao contrário do DNA nuclear (herdado de ambos os progenitores), o DNA mitocondrial segue uma linha matrilinear (saiba mais aqui). Ou seja, #DeMãeParaFilha.

E esse não é o único legado biológico de uma geração para a outra, não! O trabalho de parto libera uma série de hormônios que passam pela placenta e ajudam na maturidade física do bebê e em sua capacidade pulmonar, como explica a professora Heloísa Bettiol, do Departamento de Puericultura e Pediatria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP). “Entre os hormônios liberados está a ocitocina, chamada de hormônio do afeto, que ajuda no estabelecimento do vínculo entre mãe e filho”, explica a professora. Na amamentação, o legado continua: inúmeros nutrientes e anticorpos são transmitidos #DeMãeParaFilha, fortalecendo sua menina desde os primeiros dias de vida. Há inclusive estudos associando o tempo de amamentação à inteligência. Do mesmo modo, alguns hábitos e práticas (como o tabagismo) podem ter consequências na infância e até vida adulta da próxima geração.

“Há uma série de eventos, que podem chegar até o período intrauterino, que afetam o futuro da criança”, diz Heloísa Bettiol. “As condições nutricionais da mãe, por exemplo, são muito importantes na definição do tamanho do bebê ao nascer e podem desencadear problemas até na vida adulta, como tendência a hipertensão e dificuldade de produzir insulina”. Mas calma, isso pode ser revertido! As crianças se amamentadas por um período prolongado, por exemplo, podem compensar esse quadro.


Vínculo e exemplo

A mãe (e todos os cuidadores) também desenvolvem vínculo com as crianças. A biologia é uma aliada nesse processo (com a liberação de ocitocina no parto, por exemplo), mas o cuidado é que estabelece a criação dessa relação – até porque os pais não entram em trabalho de parto e mesmo assim desenvolvem o vínculo. E ele é muito importante para a nossa sobrevivência, assegurando que seremos nutridos e cuidados. Na verdade o vínculo mãe-filhos é tão importante e tão forte que é assunto de muitos estudos na psicologia e na psicanálise, que há décadas se debruça para tentar entender as implicações dessa relação.

E por falar em relação, uma coisa é inegável: criança aprende pelo exemplo. Todas as mães (e cuidadores em geral) devem ter isso em mente para pensar muito bem não apenas em suas palavras, mas em suas ações. “As crianças percebem quando o discurso é um e a prática é outra, elas têm todas as antenas ligadas”, alerta a professora Heloisa Bettiol. “Elas imitam o que veem, basta ver os menores fazendo coisas como colocar o telefone no ouvido. E isso acontece das coisas mais simples até os comportamentos mais complexos, não adianta falar para não brigar com o amigo se a criança presencia violência dentro de casa”, detalha a pesquisadora.

Isso não quer dizer, é claro, que nossa palavras não fazem diferença, até porque elas podem ter muito impacto na vida das meninas e na forma com que se percebem perante o mundo. Mas quer dizer que transmitimos muito mais coisas #DeMãeParaFilha do que pensamos.

Inspiração que vem #DeMãeParaFilha (Na foto: Marie Curie e sua filha Irene em experimento em laboratório)

Inspiração que vem #DeMãeParaFilha (Na foto: Marie Curie e sua filha Irene em experimento em laboratório)

Seguindo os passos

Muitas vezes, o talento e aptidão para uma área também passam #DeMãeParaFilha. Ou pelo menos a inspiração, o exemplo e a determinação para trabalhar com dedicação. A História está recheada de casos de filhas que seguiram as mesmas profissões ou projetos de seus pais, sendo igualmente brilhantes.

Quer um exemplo? A família Curie. Marie e Pierre eram dois grandes cientistas do início do século XX. Marie Curie, cujo nome você já deve conhecer, foi a primeira pessoa a ganhar dois prêmios Nobel em áreas diferentes (Química e Física) e a primeira mulher a ser laureada com o mais importante prêmio da ciência. O que nem todo mundo sabe é que sua filha Irene seguiu os passos da mãe e também foi uma química a frente de seu tempo, vencendo o prêmio Nobel em 1935 pela descoberta da radioatividade artificial!

Irene era uma grande amiga de sua mãe, Marie, com quem trocou cartas a vida toda, não importando a distância entre elas. Foi Marie que percebeu a aptidão da filha mais velha para a matemática e organizou para que ela recebesse uma educação desafiadora e condizente com seu potencial. Nas décadas de 20 e 30, Irene casou-se com o também cientista Fréderic Joliot, e juntos, continuando o trabalho de Marie e Pierre Curie, eles isolaram os elementos radioativos naturais e transformaram um elemento em outro, abrindo as portas para a manipulação da radioatividade. Como se não fosse suficiente, os dois filhos do casal também são cientistas: Helene é física nuclear e professora da Universidade de Paris e Pierre é bioquímico.

E você, conhece outros exemplos de filhas que herdaram o talento (e a carreira) das mães?


#DeMãeParaFilha, de filha para mãe

O amor e o cuidado dispensado #DeMãeParaFilha são importantíssimos para o desenvolvimento saudável das meninas em todas as fases da vida. Até que chega o momento de retribuir esse cuidado, especialmente quando nossas mães ficam mais velhas.

É o que está fazendo Ana Elisa Franculli e suas três irmãs. A família de mulheres uniu-se para cuidar da mãe Elvira, hoje com 88 anos e diagnosticada há 8 com Mal de Alzheimer. As filhas revezam-se no cuidado e a Ana Elisa cabe buscar a mãe da casa terapêutica em São Paulo, onde ela passa suas tardes. “As vezes ela fica preocupada achando que não vou buscá-la. Então converso e digo “mãe, você também ia nos buscar na escola, eu não vou deixar de vir encontrar com você”, conta Ana Elisa. São os papéis se invertendo quando a vida exige e dando a oportunidade de retribuir o cuidado dispensado anos atrás.

Ana Elisa com a mãe. O bebê é Lara, colunista do Força Meninas. “Amo ficar com a minha mãe, ela pode perguntar 10 vezes a mesma coisa, que nós respondemos todas e tudo bem”, diz Ana Elisa. Foto: Arquivo pessoal

Ana Elisa com a mãe. O bebê é Lara, colunista do Força Meninas. “Amo ficar com a minha mãe, ela pode perguntar 10 vezes a mesma coisa, que nós respondemos todas e tudo bem”, diz Ana Elisa. Foto: Arquivo pessoal

Esse trabalho é possível graças às lições transmitidas pela mãe a vida inteira, que deu o exemplo de uma mulher forte e lutadora, mas também amorosa. Quando pensa no que puxou da mãe, a caçula Ana Elisa não titubeia: “Fisicamente nós somos idênticas, mas também peguei essa coisa de ser meiga, carinhosa”, diz. “Mas minha mãe também é muito forte. Enquanto meu pai era vivo, ela parecia mais frágil, mas quando ele morreu nós [filhas] ficamos abaladas enquanto ela segurou tudo. É uma mulher forte e bondosa. Em resumo, uma mãe”.

Deixe um comentário