Sempre me perguntaram: “ Por que você fez Química??!!”, com aquela expressão de susto, admiração(?), incredulidade ou com ar de  o-que-essa-menina-tem-na-cabeça.

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Pensei inúmeras formas de responder a esse questionamento, mas aqueles que questionavam pareciam não ter tempo suficiente para ouvir minha resposta.  Muitos fatores me levaram a esse caminho e muitos outros me fizeram persistir. Vamos começar…

Quem não é curioso? Eu era muito curiosa quando criança, daquelas que queriam entender tudo e perguntava muito. Este comportamento parece algo muito normal durante a infância,  mas infelizmente perdemos aos poucos a curiosidade ao longo da vida adulta.

Mas eu não era apenas curiosa, era também sonhadora: queria ser Professora, mas também Astronauta e se possível também cantora.

Desde cedo, eu fazia experimentos. Amassava folhas e misturava com água, sabonete, esmalte e falava que era remédio para a boneca. Coitada da boneca,  mas  já naquela época queria testar os produtos e estava preocupada com a eficácia.

Um dia, tive a primeira aula de Química da minha vida. Foi no 9° ano do Ensino Fundamenta, há 15 anos atrás, com meu ex-professor de Matemática que, na época, podia também lecionar Ciências. Ele era uma pessoa maravilhosa, respondia a todas as minhas perguntas mais cabulosas e me incentivava muito.

No Ensino Médio, passei a ter aulas de Química com duas pessoas, uma delas se tornou minha grande amiga e me apoiou fortemente a tentar o vestibular para essa área. Eu estudava para as provas depois que meus pais iam dormir, pois assim eu tinha um ambiente completamente silencioso para fazer meus cálculos. Eles não entendiam muito bem minha escolha, primeiro porque era Química e depois porque esta escolha me levaria a estudar na região Metropolitana, a 150 km de casa.  Como eles avisaram muitas vezes, todo este processo foi muito cansativo.

Apesar de toda a dificuldade que me esperava, busquei provas antigas dos vestibulares, me esforcei ao máximo e, com 17 anos, fui aprovada no meu primeiro vestibular:  Química na Universidade Federal Fluminense! Alegria sem explicação, sem comparação.IMG_20170212_113637

“Essa escolha mudou muito a minha vida, mas valeu a pena”

Fui monitora em escolas, nos laboratórios da Universidade, fiz Iniciação Científica (um dos primeiros passos para seguir na carreira acadêmica). Participei de muitos congressos, conheci novos lugares, tive contato com profissionais de muitas áreas interessantes. E vi que tinha feito a escolha certa!

Escolhi como tema de Monografia a relação entre Química e Arte, algo inédito na UFF e nas Universidades do Rio, de modo geral. Discuti como a Química está presente em pigmentos, esculturas, vitrais, madeira, etc, e como podemos estudar conceitos químicos a partir da análise dos neurotransmissores, que são as substâncias responsáveis pelas nossas sensações ao admirarmos uma obra artística! Devido a esse trabalho, ganhei o Prêmio Marie Curie de Produções Científicas, no ano de 2012.

Assim me tornei Licenciada em Química,  Professora e Pesquisadora. Algo que faz meus olhos brilharem, tanto quanto os experimentos do laboratório. Acredito que meus conhecimentos não fazem sentido se não consigo compartilhá-los com alguém. Essa é uma das missões de uma Professora.

Como a Ciência muda a todo momento, não parei meus estudos.

Fiz meu Mestrado na PUC-Rio, me dedicando integralmente às atividades do laboratório, obtendo um conhecimento na área de filmes finos, que são importantes nas áreas de Biossensores, Polímeros, Aerossóis Atmosféricos, dentre outros.

No Mestrado, vi que algo ainda estava faltando, queria expandir meus horizontes e fiz o processo seletivo para o Doutorado em Química da UFRJ, no qual aprendi diversas técnicas de análise, processos de síntese de novos materiais com aplicações em energias renováveis, como células solares, pilha a combustível, entre outros.

Felizmente, durante o Doutorado ainda tive a maravilhosa oportunidade de ser aprovada para lecionar no CEFET durante alguns meses, o que tornou toda essa jornada muito recompensadora.

Por que eu fiz Química?  Porque ela é fantástica e abre muitas portas para meninas curiosas e dispostas a compartilharem seu conhecimento.

Sobre a autora:

Isabel Lavandier é Licenciada em Química (UFF), Mestre em Química (PUC-Rio) e Doutoranda em Química (UFRJ). Professora e Pesquisadora, com mais de 7 anos de experiência. Atua na área de Química de Materiais, Ensino de Ciências/Química e Química aplicada a Arte (Restauração e Conservação). Como mentora do Força Meninas ela ajudará meninas a descobrirem como gostar de quimíca pode ajudá-las a transformar o mundo.

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